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		<title>Texto publicado na Revista Materlife em setembro de 2008</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 21:21:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>milabitelman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[  A maternidade é delicada  A maternidade é delicada. Mexe com o corpo e com a cabeça da mulher. Dispara inúmeros processos, desde o primeiro instante em que uma outra vida começa a se constituir ali. São processos de transformação que, ao operar, vão tangenciando toda a história desta mulher: como ela foi concebida, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=milabitelman.wordpress.com&amp;blog=9920361&amp;post=7&amp;subd=milabitelman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<dd class="wp-caption-dd">A maternidade é delicada</dd>
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<p><a rel="attachment wp-att-60" href="http://milabitelman.wordpress.com/2009/10/13/texto-publicado-na-revista-materlife-em-setembro-de-2008/img007/"><img class="alignnone size-medium wp-image-60" title="img007" src="http://milabitelman.files.wordpress.com/2009/10/img0072.jpg?w=219&#038;h=300" alt="img007" width="219" height="300" /></a></p>
<p> A maternidade é delicada. Mexe com o corpo e com a cabeça da mulher. Dispara inúmeros processos, desde o primeiro instante em que uma outra vida começa a se constituir ali. São processos de transformação que, ao operar, vão tangenciando toda a história desta mulher: como ela foi concebida, o quanto ela foi desejada, como ela foi recebida, e como foi criada – e como ela experimentou tudo isto&#8230; A maternidade concretiza o sonho da menina que brincava com bonecas e sonhava ter seu próprio bebê. Neste sentido, leva-nos de volta a esta menina&#8230;</p>
<p>Ora menina, ora mulher, a maternidade é delicada.</p>
<p>O projeto de ser mãe começa a se concretizar e, sabemos, a realização de um sonho pode ser assustadora. E complicada, também, porque, quase sempre, a realidade é bem diferente do que sonhamos. Lidar com aquele bebê pode ser difícil em alguns momentos&#8230; O sonho pode virar um pesadelo.</p>
<p>Finalmente “cai a ficha”. Impactada por aquele ser totalmente dependente de seus cuidados, ela entende que ele saiu de sua barriga para entrar e ficar na sua cabeça pelo resto de sua vida. Ela o convidou para o mundo, e ele veio.</p>
<p>A mãe, enquanto “centro do universo” do bebê neste momento, é quem vai possibilitar o processo de ‘vir a ser’ deste bebê, emprestando seus recursos para a fundação deste novo ser. O aconchego, o carinho, a presença, a freqüência, o toque, a continência, acompanhados dos cuidados de rotina, vão proporcionando esta experiência fundamental. E estes que, sem dúvida, compõem os primeiros acordos, acordes, da relação da mãe com seu bebê no dia-a-dia, dão origem a uma nova história – a do bebê. </p>
<p>Há de se admitir. O começo, principalmente, é muito trabalhoso. Doce, amarga labuta de dias e noites a fio. Dias e noites em claro, em busca de um entendimento&#8230; “<em>Por que está chorando? De que precisa, agora? Por que não pára de chorar? Que sono&#8230; como estou cansada&#8230;</em>”.</p>
<p>Ser premiada com um sorriso no meio de tudo isto é sempre gratificante, mas, muitas vezes, a mãe pode estar tão cansada que nem o percebe, ou nem o considera tão engraçado assim. Envolvida com sua rotina de cuidados, pode esquecer-se de algo também fundamental: brincar e divertir-se com seu bebê. Às vezes ocorre de uma mãe descobrir que seu bebê já está sorrindo pela avó, sogra, tia, que chega, toda disponível para interagir com o bebê (claro, não está cuidando dele há dias e noites sem fim&#8230;), logo encontra resposta, e comenta: “<em>Olha, ele está sorrindo!</em>”. Novidade e surpresa.</p>
<p>Neste momento, mais uma vez, cabe ressaltar a importância da presença do pai. Ele, que chega cansado, também, mas mais livre, como a tia ou a avó, para se relacionar com o bebê, ocupa aqui um papel essencial, tantas vezes negligenciado. Traz “novos ares” para a criança, que também estava limitada à relação com a mãe, “abre seus horizontes” e ajuda-a a descobrir novas possibilidades de relação e de existência, afinal, certamente, cada um, mãe e pai, funcionam de modos diferentes e vão relacionar-se com seu bebê cada um a seu modo. Isto precisa ser considerado e o pai deve ocupar seu lugar neste processo.</p>
<p>Para a mãe, é o momento da trégua, do descanso, de cuidar um pouco de si mesma, o que tem sido difícil de fazer, ultimamente. Aliás, cabe dizer, o bebê precisa de uma mãe que saiba e possa cuidar de si, também. Dali a pouco, pode retomar sua jornada, um pouco mais revigorada e fortalecida. Pode arriscar-se, quem sabe, na busca tímida e sem jeito, de mais um sorriso. Se tudo corre bem, ele vem, majestoso, inaugurando mais esta modalidade na relação: a da brincadeira. Gratificada, esta mãe começa, agora, a enxergar sua família se constituindo.</p>
</div>
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